quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Escolhas

Não tenho certeza se me usar de exemplo será bom mas vamos ver no que dá...
Ano passado eu estava muito empolgado com o fato de ter bixos na psicologia pois neste curso me sinto em casa o que difere do anterior. Minha alegria era tanta que muito incentivei quem desejasse fazer o curso e vibrei com o pessoal que passou. Alegria, alegria! Todavia no dia da matrícula destes eu me deparei novamente com algo que eu não esperava... Um dos alunos desistiu da matrícula, pelo que eu pude entender ele resolveu seguir os conselhos dos familiares e continuar no caminho (burocrático) em que se encontrava. Tudo bem, respeito e pá...
Entendo como qualquer um pode se sentir, aquele desejo pode ser sublimado pelo medo ou pela insegurança e terá que lidar com as consequências. Pode ser como o cara na festa que vê a menina que estava a fim sair com outro e fica pensando como foi fraco e medroso. Pode ser também diferente disto é claro, quem decide decide por algum motivo e isso por sí basta.
Pulando a parte da matrícula (nota, a não matrícula da criatura nos abalou pois ele já tinha se tornado uma espécie de representante da turma sem nem a matrícula ter ocorrido...) passo a citar alguns outros casos. Alguns dos que comigo estudaram na psico estão zarpando para outros rumos, não desejam mais este curso. Outros como eu desejam levar a psico de maneira mais leve para poderem se dedicar a outras tarefas (no meu caso concursos) e ha um ou outro em que o curso nem interessa o que mais importa é o ambiente acadêmico com todas as suas oportunidades (e nisto ele é bem rico!).
A questão desta postagem é a seguinte... Um grande amigo meu (diria "irmãozaço") fez o vestibular mais uma vez e rodou. Lembro de ter começado a prestar as provar para a UFRGS mais ou menos na mesma época em que ele começou e nós até mesmo fizemos estudos juntos mas ele acabou por largar de mão isso tudo por algum tempo. Já eu em contrapartida me dediquei cada vez mais a estudar para passar na tal provinha o que me garantiria a realização de todos os meus sonhos. Bem, ao menos ná época eu achava isto...
Passei e em cinco semestres depois de muita coisa resolvi que deveria mudar de área e o fiz. Não me arrependo de maneira alguma mesmo quando vejo meus antigos colegas se formando e seguindo suas carreiras.
Não pessoal, a tal aprovação no vestibular não é muita coisa... Digo a vocês que depois de entrarem lá a coisa fica bem mais complicada. Nada impossível mas bem trabalhosa. E a faculdade te atropela, ela não faz concessões.

Nem se a tua mãe for lá pedir com carinho...

Então esta postagem vai para aqueles a quem puder interessar. Se tu é bem novinho e acha que tudo vai ficar certinho na tua vida com a aprovação esqueça, na verdade vai ficar muito bagunçado, mas muito mesmo! Se tu foi aprovado e vai fazer o curso porque alguém que não você assim deseja lhe recomendo que quebre os teus grilhões e siga a vida do teu jeito nem que para isso tenha de sair do conforto da tua casa e viver em uma casa do estudante ou algo do tipo. Te garanto que tu não vai morrer por isso...
Se tu faz o curso e resolve desistir e trocar faça por teu desejo e se assim for siga com fé, a recompensa é grande. ninguém tem nada que ver contigo e nem vão estar lá para lhe acompanhar em cada prova, cada avaliação muito menos nos momentos em que você se perguntava se deveria seguir naquilo ou não.
Na minha opinião estamos sendo cada vez mais cruéis em querer que uma pessoinha que a recém terminou seus estudos básicos determine o seu futuro através de uma prova. Se preciso for se dê tempo. Segue o que teu coração diz. E não me venha com essa de ter dúvida pois olhando lá no fundo tu vê o que quer. Sempre.
Agora por fim... Se tu é como o meu grande amigo e deseja seguir um caminho que tu escolheu siga em frente. Sempre. Não deixe que ninguém determine o que tu escolhe, acredita na tua potencialidade e corre em direção ao teu destino. Eu o fiz assim e o faço sempre.
Boa sorte amigos, façam suas escolhas de consciência tranquila que tudo dará certo no fim.

Quanto ao atraso no blogue... O unico comentário será este: sim, fui preguiçoso. Beijo, me liga. =P

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

De repente (é assim que se escreve?)

Não sei se é súbito ou de forma cantada, feito em rimas de pura poesia. Súbito certamente combina comigo pois minha veia poética tá mais pra uma vênula...
Estava conversando sobre o abandono do blog comigo mesmo e com mais gente. Umas duas pessoas eu acho... E no meio de uma leitura me veio o surto criativo. Nada fantástico mas vamos lá, venham comigo que na saída lhes dou um suquinho.
Passei na Livraria Cultura a procura de um livro específico para dar de presente a uma pessoa especial e por fim acabei comprando outro. Porém, meu telefone estava cheio de rascunhos de sms que é a maneira como eu guardo as coisas que devo fazer ou ter ou comprar ou muitas vezes escrever e sei lá mais o que. Sim, minha memória é digital, sou binário.
Enfim. Surtei e resolvi comprar tudo quanto era livro que estivesse naquela lista. Ainda bem que o espaço pra mensagem do meu telefone é pequeno ou meu orçamento se ia por água abaixo. Comprei algumas coisas tipo um livro do Terry Pratchett que eu acredito fará a pessoa recebedoura rir bastante. Eu mesmo ganhei de aniversário um livro dele e pude ter momentos divertidíssimos de leitura, inclusive dentro de aulas que me parecem completamente sem sentido e despropositais por muitas vezes. Ainda que minha leitura invoque a fúria de certos egos desejosos de atenção que preferiam que eu estivesse a rir de sua aula e não de um livro, bom... Freud, dizem, explica.
Outro livro que comprei é o Saga Lusa da Adriana Calcanhotto, um livro simples, despretensioso em sua conclusão ainda que sua essência tenha sido de best seller. Talvez tenha sido um dos dez mais da caras. Merece! <--- Isso foi um elogio, sério!
Tá, mas seguindo na moral de eu vir aqui e sentar a frente desse teclado o que eu vim fazer aqui foi falar mais uma vez de livros.
Conversando com minha namorada (que gentilmente foi comigo à livraria) eu fiz um comentário bem posteriormente a esse momento (o dos parênteses). Livros são uma coisas fantástica por essência, você pode escrever (n)eles e tudo o que lá ficar tende a ser útil de alguma maneira. Hm... Acho que a palavra que eu procuro é aproveitável. Em outro momento, na sala de aula eu tava tendo um papinho rápido com o meu colega (Allisson que é uma das pessoas mais interessantes de se conhecer na vida, faz ela de certa maneira valer a pena, e que eu espero não ter escrito o nome errado...) sobre o valor de um livro velho. Na verdade sobre como é gostoso aquele cheiro de livro antigo. Não, também não acho rinite algo bom mas faz parte de se ter essa experiência (pra mim faz...). Mas enfim. Livro antigo ou novinho tem algo de especial. Tudo o que se escrever tu pode ler no futuro. A isso eu somo uma frase do meu bisavô, dita a minha mãe quando ela era pequena e tinha preguiça/dificuldades para estudar: "Se eu aprendi com aqueles livros velhos, cheios de mofo tu também pode aprender. Ainda mais com esses aí novinhos..." Não sei se cheguei a ouvir a voz desse cara algum dia, talvez quando eu ainda era apenas óvulo eu possa ter sentido essas ondas vibratórias atravessando minha célula. Mas sempre imagino essa frase sendo dita de um jeito solene... Bom, meu bisavô foi químico, minha mãe tem até hoje um frasco de medicamento "assinado" por ele como responsável (acho que tá mais pra tipografado em nome dele...). De qualquer maneira, o véio tava certo. Os livros podem ser antiquíssimos, verdadeiros tomos ancestrais mas mesmo assim algo tu pode tirar deles. Se forem de matemática tu pode obter conhecimento nunca a ser "datado" se forem de química pode ser que os conceitos escritos lá sejam antigos demais para serem aplicados. De biologia eles certamente vão mudar em dois meses. Mas não importando se for Machado de Assis, Joice ou Eco, literatura fica pra sempre. E tu sempre poderá recorrer a eles em dias surtados ou chuvosos e sem luz.
Tente, ele está lá. Guardado, abandonado mas nunca indisposto a te auxiliar a ter mais saber.

domingo, 6 de junho de 2010

Lembro de perceber que algo estava errado.

Lembro sim, faz algum tempo mas eu lembro. Quando resolvi entrar pra corretagem de imóveis e ganhar meu dinheirinho tinha muitas ideias na cabeça. Mudar de vida, ser mais responsável, me mostrar mais de acordo com os dogmas de nossa sociedade, e por aí vai... Mas uma coisa que eu lembro muito bem é o medo que eu tinha de perder minhas características próprias e acabar sendo só mais um boi no meio da boiada. Nada contra os bois, não mesmo mas gosto de me sentir diferente e único e espero que sempre seja.
Pois bem, trabalhei um ano na função de corretor e ganhei uns trocados mas a custo de muito estresse e incomodação. Faltei algumas aulas para poder mostrar imóveis ou para conhecer outros, cheguei até a perder umas provas na facul... Resolvi sair daquela função para outra na área de vendas que talvez fosse ser mais tranquila e me permitisse uma maior flexibilidade de horários. Uma boa empresa, bem conceituada no seu ramo.
Chegando lá conheci os meus colegas de trabalho, muitos dos quais eu nem trabalho mais pois foram demitidos ou saíram por sua própria conta.
Lembro das impressões que tive de cada um, do jeito deles de falar e se portar. Rapidinho identifiquei quem eram as pessoas boas de manter um convívio e as que eu deveria evitar de pisar nos calos, gente boa e gente que se defende demais... Mas o que eu quero falar em especial é sobre um senhor de idade avançada, que tem apenas mais alguns anos pela frente até se aposentar. Lembro nitidamente de ver todos se preocupando com as vendas e com quanto iriam receber de comissão. Mas lembro mais nitidamente ainda daquele senhor fazendo cálculos e mais cálculos, somando e diminuindo seu futuro salário com as suas contas, quanto ele iria receber e quanto teria que gastar com suas questões particulares. E calculava, calculava, calculava... E eu ia me lembrando de uma música da minha banda predileta -O Teatro Mágico - que diz assim: "Meus minutos mal somados, sadomasoquismo são. Meu trabalho mais que forçado morrendo comigo na mão...". A cada risque e rabisque da caneta daquele senhor eu ia pensando: puxa, ele tem quase sessenta anos e segue no mesmo tipo de função que todos nessa sala. Calcular e subtrair seus ganhos. Ok, deixemos de lado esse senhor por enquanto.
Outro colega estava muito empolgado com o seu novo celular e queria mostrar a todos o quão legal ele era e que tinha sido muito, mas muito barato. Ele apertava todos os botões possíveis e produzia todos os sons permitidos pela maquininha. Era uma beleza! Lembro principalmente dele me mostrando a sua atual música favorita "If I were a boy" e eu lhe traduzindo a letra e perguntando se ele realmente tinha aquela música como favorita considerando as suas atitudes como marido perante a sua mulher (bem, eu não teria...). Outros colegas falando de futebol, música, casamento, novela... E eu lá, em torno daquilo. Com meus sonhos de ser psicólogo e fazer o melhor que posso pelos outros (no fim é por mim, no fim sempre é...).
Saindo do meu ambiente de trabalho vou falar de algumas pesoas que conheço. Muitos dos meus amigos tem como rotina do seu dia trabalhar o quanto podem e ao sair do trabalho passar numa esquina qualquer e comprar pilhas e mais pilhas de filmes piratas. Diversão por cinco reais, três delas por dez na promoção. Seu dia a dia se resume a isso: trabalhar muito, mas muito mesmo, comprar os filmes, ir para casa, assistir os filmes com a mulher ou quem quer que seja, ter alguma outra diversão (sexo, cerveja, computador... tanto faz...) e depois dormir para que no outro dia tudo se siga igual. É nisso que eu quero chegar com essa postagem.
Não critico quem faz tudo isso mas o que eu me pergunto é como que isso se sucede? Como podemos passar uma vida inteira trabalhando feito escravos e depois de trinta anos de função continuamos na mesma: sonhando em comprar algo novo e bonitinho... Aquele senhor, meu outro colega e seu celular e o meus amigos me atentam para algo que eu sabia que estava errado: em algum momento tu perde o controle. Em certa hora você deixa de fazer as coisas por ti e passa a fazer em prol de algo. Não, não se engane. Tu não comprar a televisão de 50 polegadas por que deseja mas sim porque desejam que você compre. Bem, ao menos imagino que seja assim para a maioria. Em certo momento você deixa de tocar seu violão e passa a assistir filmes e mais filmes, em certo momento tu deixa de sair e curtir as coisas que tu gosta para comprar roupas para teus filhos, não para que elas se agasalhem mas sim por que tu precisa. E muito! Posso seguir muito ainda se preferirem mas acho desnecessário..
Hoje eu estou com a oportunidade de trocar de emprego e sair das áreas de vendas. Por mais que eu seja bom nisso e goste de ganhar meu dinheirinho aquilo está me matando. Aos poucos. O sadomasoquismo de contar meus minutos é algo que começa a destruir a luz que tenho dentro de mim, o que me faz único. Não desejo o estresse que o meu trabalho me dá, não desejo o ataque cardíaco que espera o meu chefe no futuro em troca de cinco mil por mês de salário... Espero que logo se resolva a questão e eu seja chamado para o novo emprego mas sei que isso depende apenas de tempo, não adiantar morrer por antecipação.
Mas isso para mim, e pra as outras pessoas? Como evitar morrer de estresse? Como evitar ser engolido pela rotina do cotidiano? Como se manter sendo você? Ou mais ainda, como eu garanto a mim mesmo que mudando de emprego (especialmente de área) eu vou ter a tranquilidade que preciso? Qualidade de vida? Bem... Eu não garanto mas estou tentando fazer isso.
Ao assistir um vídeo hoje no Youtube eu encontrei uma possível resposta. Não vou seguir no meu trabalho atual e tentar aplica-la mas se precisar já sei o que fazer no próximo.
Bom vídeo para vocês, esses vocês não acham no camelô creio eu. Ah, não esqueçam de manter a sua luz sempre acesa, se perceberem que algo está errado ajam.

Cleverman

domingo, 28 de março de 2010

Trotes.

Inicio de semestre e os tradicionais trotes de faculdade começam. E as noticias sobre eles também. Acredito que deve ter jornalista babando ao esperar que alguém humilhe/mate/deixe-em-coma-alcoólico um bixo só para poder publicar como seu ganha pão. Tá... Nem todos mas alguns devem sim... E o mais triste é que sempre acontece.
O trote vem, até onde eu sei, de praticas de humilhação aplicadas pelos nobres aos burgueses que começaram a tomar o lugar destes em tudo na sociedade. Quando a burguesia começou a comprar seu espaço, a resposta dos habitantes do ambiente estudantil da época não foi das melhores não... Mas não posso comparar aquele trote a esse.
Quando entrei na faculdade de biologia lembro que queria muito passar pelo trote pois desejava ser pintado e poder expor isso a todos que viessem me olhar. Um troféu, um exemplo. Eu passei, outros não. E devia mesmo pois levei cinco vestibulares para isso. O meu trote teve os elementos clássicos da humilhação auto-induzida: andar de elefantinho, deixar a cara e o corpo serem cobertos de tinta, beber até fica zonzo, catar dinheiro na esquina para poder pagar a festa, cantar musiquinhas... Tudo permitido por nós mesmos. Ninguém pode te impedir de não participar de algo assim. Foi divertido e eu gostei.
2010, trote do Serviço Social Noturno UFRGS. Tivemos o convite da CONGRAD do nosso curso de sermos os veteranos desse novo curso que surgiu na nossa universidade. Nos foi dado meses para a preparação da recepção do pessoal. Colocamos as nossas cabeças a funcionar e pensamos o que podia ser melhor numa recepção pra eles (na verdade elas pois tem 90% de meninas no curso!) e decidimos por um trote light. Ou melhor... A CONGRAD é tão terrorista que deixa a entender que nada de humilhante pode ser feito com o pessoal novo. Sei lá... Devem ter medo que acabemos nos empolgando com a celebração e acabemos enfiando a cabeça de alguém na privada suja ou algo assim... De qualquer maneira, o trote foi pintar o pessoal que desejava no dia da matricula (nem todos pois acabamos chegando um tantinho atrasados...) e fazer uma aula tipo terrorismo puro, com um suposto professor casca grossa que poria medo em todos (o tal professor foi mesmo bom nisso) e depois faríamos algumas dinâmicas para integrar o pessoal ao nosso próprio curso e quem sabe colocaríamos eles a pensar sobre as suas escolhas. Eu particularmente gostei muito da idéia mas teve gente que não curtiu. Tanto bixos como veteranos. Quanto aos bixos eu imagino que muitos deles queriam ter a mesma sensação que eu tive no meu trote da biologia. Sei lá... Deve ser nosso lado cristão dizendo a nós que devemo ser sempre punidos pelo que desejamos e mais ainda se alcançamos (Nietzsche explica...). Ok, não os culpo por isso. Já alguns dos veteranos também não gostaram. Queriam mais bebida e cantoria pelo visto. Talvez uma festa para integrar o pessoal. Ok, também não os culpo por quererem isso, só não consigo me ver reclamando de algo que eu sabia que a acontecer e que eu não me manifestei contra no momento em que deveria. Acho que a praia deve deixar as pessoas mais lentas ou algo do tipo... De qualquer modo o trote ocorreu e o pessoal gostou. E vai haver festa noutro dia.

O que não ocorreu e nem pode ocorrer foi alguém sair de lá humilhado apenas por ter obtido o que desejava, uma aprovação. Quem se beneficia com isso não é o veterano, nem o bixo. É o jornalista que estava babando ali no início do semestre...

Aos meus bixos, meus parabéns. Meninas vocês são demais. Aos meus colegas que trabalharam duro para fazer isso dar certo meu parabéns, especialmente a nossa super mãe de toda a turma, ela é foda! A quem não gostou, que pena. Fizemos nosso melhor, façam vocês o melhor que puderem na próxima vez. Ao povo, desculpe... Nada de pão nem circo desta vez.
Já aos nossos futuros bixos de Psicologia Noturno...
Bem...
Preparem-se.

domingo, 21 de março de 2010

Lembra a tua primeira leitura?

Não sei vocês mas eu lembro no que foi a minha. Eu tinha quatro anos de idade e vivia aporrinhando a minha tia Elaine para que ela lesse revistas em quadrinhos para mim. Era Turma da Mônica, Tio Patinhas. Leitura infantil em geral.
Certa vez, ela cansada de ler tantas vezes pra mim no mesmo dia me perguntou se eu queria aprender a ler. Eu respondi que não, preferia que ela lesse. Bem... Ela disse que ou eu aprendia ou ficava sem saber o que acontecia nas histórias pois ela não ia mais ler! Sabem que eu passei a me interessar no mesmo instante? Pois é. Minha primeira leitura foi num gibi do Cascão, não lembro a história mas lembro que era dele. Na capa tinha ele com um guardachuva nas mãos. Depois do cascão eu passei a devorar qualquer coisa que colocavam na minha frente que tivesse desenhos e letras. Não lia livros mas quadrinhos... Bah! Até hoje sou viciado! Bem. Na verdade lia livros sim mas apenas aqueles com muitas figuras. Tive sorte que meu avô tinha um monte daqueles livros sobre lendas e histórias. Lá pude conhecer sobre o Hércules e seus doze trabalhos. Li sobre o ponto de fervura da água e porquê os aviões de caça não eram pretos. Li lendas do Brasil e histórias sobre guerras. Gostava especialmente de um livro que tenho no meu armário até hoje. Ele trata sobre jogos de todo o mundo. É da Abril, antigo pacas...
Mas depois de um ou dois anos eu me mudei pra Alvorada, sai da casa dos meus avós. Brigas constantes entre minha mãe e minha avó acabaram por deixar a família separada. Minha mãe não se dava bem com a sogra dela, não mesmo... Daí eu fiquei uns três anos separado dos livros. Mas dos quadrinhos nunca! Lia tudo que podia comprar, achar e catar por aí. Se eu ia na casa de alguém e tinha Conam pra ler eu lia, só porque tinha balõezinhos... E assim foi. Ah! Guardo na memória uma cena do meu pai me dando a coleção inteira dele de quadrinhos de super heróis para eu ler, de presente, e eu logo me pus a trocar eles no sistema dois-por-um por gibis infantis. Lembro bem do meu pai dizendo que eu ia me arrepender um dia por fazer aquilo. É... Não me arrependi não pai, mas que eu podia ter guardado algumas daquelas coisas podia pois tinha coisa rara lá, eu lembro...
Bem... mas se a primeira leitura ja foi citada porquê diabos eu sigo escrevendo isso aqui?
Porque aquela foi apenas a primeira leitura de todas. Mas eu tive outras primeiras leituras. A que eu vou citar agora foi a minha mais importante.
Certo dia eu estava na minha aula da quinta série e a professora estava demorando pra chegar na sala. A gente tava fazendo toda a bagunça que nos era permitida pois afinal eramos crianças e movidas a grito, como todas. Até que em certo momento a professora entrou na sala e mandou todo mundo sair dela. A gente saiu preocupado, pensando mil coisas. Será que ela vai nos xingar? Será que exageramos? A escola ta pegando fogo? Greve (EEEEEEEE!!!!) de novo???
Nope... Nada disso. Ela nos fez andar em fila indiana até uma parte obscura da escola. Uma parte que a gente nunca ia. Uma parte fria, com cheiros estranhos e cheia de teias de aranha. bem... As teias não deviam ter mas que tinha cheiro estranho tinha... Pois bem... A biblioteca.
Ah! Que diabos de lugar era aquele onde tinha um monte de mesas? E porquê a gente não podia fazer barulho??? Como assim pega um livro e sai lendo, guri??? Ei! Aqui não tem nenhum gibi! O que eu vou ler afinal? Bah... Eu tava sendo vitima de um surto de consciência da minha professora de sei la o que pois eu nem lembro e o pior é que as outras das aulas seguintes também concordaram com aquilo. Foi uma manhã de leitura. Pois bem... Eu lí. Um gibi que eu encontrei he, he, he. Acho que era do Zé Carioca. A professora ficou de cabelo em pé quando viu eu lendo aquilo e queria saber de onde eu tinha tirado. Eu mostrei mas para a minha infelicidade não tinha mais nenhum. -Pega um livro e lê, criatura! Um amor de pessoa, concordo. Ta bom... Escolhi um livro para ler então. Um bem pequeno pois não tava a fim de ler nada que não tivesse balõezinhos.
Lembro bem da capa do tal livro. Tinha a cor marrom e um menino numa jangada movendo esta com uma vara grande. Achei que devia ler pois tinha um guri na capa, devia ser leitura pra guri. E era pequeno, tava na minha então. Comecei a ler aquilo a contra gosto pois não gostava de livros. Então... Eu lia uma página, e torcia o nariz. Lia outra e torcia o nariz. Lia mais uma e torcia o nariz. Tinha lido mais de quinze e seguia torcendo o nariz. Seguia lendo e ansiava pela próxima, mas continuava torcendo o nariz. Depois de umas vinte páginas eu nem lembrava de fazer manha e torcer o nariz mas eu queria sabe o que iria acontecer na página seguinte. E li, li, li, li, li... Acho que devo ter lido umas trinta páginas. um recorde infantil. Quando eu tava realmente imerso na historia a professora nos chamou pois o período de aula tinha acabado. Eu perguntei se ela deixava eu levar aquele livro pra casa mas ela disse que não, eu deveria deixar ele alí e que poderia ler noutro dia. Eu lembro que era quarta feira. Passei a semana pensando em ler o resto da história. Imagina como o menino da capa ia continuar suas aventuras. Que gibi o que, eu queria mesmo era ler as tais Aventuras de Huck Finn pois eu tava amando ler aquilo. E na quarta seguinte eu era o primeiro na fila a entrar na sala fedorenta. E para minha decepção ninguém sabia de que livro eu estava falando. Nada de Aventuras de não sei o que... Nada de livro pequeno... Nada de nada... Tristeza... Meu mundo foi abaixo... Sai de lá sem ler nada mais e após ter derrubado umas três prateleiras de livros em busca do meu objeto de desejo.

nada...

Porcaria de livros >_>

Um mês depois eu estava imerso nos meus quadrinhos novamente. Lia de tudo. A caixa de máquina de lavar que tinha as revistas que meu pai me deu já estava no fim de tanto que eu tinha trocado e retrocado as revistas. Até que um dia indo na tabacaria que eu costumava trocar gibis eu olhei uma pequena coleção de gibis do Homem Aranha. Era três edições. Ele vestia uma roupa legal, as poses eram legais. Finalmente u achei um super herói que eu queria ler. Comprei (troquei) e fui ansioso pra casa ler. Pois é... O nome da série era A ultima caçada de Kraven e tratava sobre um vilão que resolveu obter a vingança máxima contra o aracnídeo drogando ele e induzindo-o a um estado de morte onde ele vivia pesadelos horríveis sobre o seu passado. Poesia pura. No fim a vingança do tal Kraven se deu através do suicídio pois assim o Aranha não pode se vingar dele pelo tormento causado. Leitura tri infantil

EU AMEI!!!

Era melhor coisa que eu podia ter lido. Naquela hora eu pensei que tinha cometido um erro por ter vendido as revistas de heróis mas depois passou pois nada era tão bom como aquele clássico. A partir dali eu leria super heróis direto, e se fossem histórias adultas melhor ainda.
Depois daquele ano eu fui morar em Porto Alegre e acabei caindo num colégio que nos obrigava a ler um livro por semana. Pois bem, eu li o Pequeno Príncipe em um mês se não me engano, uma vez por semana heheh. Adorei. era muito legal. E depois disso segui lendo quadrinhos e uns poucos livros que me interessassem, mas pouca coisa mesmo. E saudade daquela capa marrom, do menino aventureiro. Chuinf...
2009. Pós feira, pós vestiba. Grana no bolso. Encontrei com uns amigos (a namorada de um amigo e outro amigo) e fomos dar uma passeada. Acabamos por parar em uma cafeteria/livraria alí na Oswaldo que tinha um Capuccino o must e muitos livros. Eu fiquei olhando uma daquelas gôndolas e lendo os títulos dos livros. Iotti, Toltoi, Freud... Muita coisa. Até que... Hm??? As aventuras de Huckleberry Finn? Versão super especial de bolso da Martin Claret? Continuação de Tom Sawyer??? Me da esse livro aqui agora!!!!!

Comprei no mesmo instante.

Cheguei em casa e li, li, li, li, li... terminei de ler os meus sonhos infantis. O tal do Mark Twain era um mestre. Dizem que o nome dele não era esse, eu li na introdução do livro. E ele era uma espécie de CQC em um homem só da sua época. Mas nada daquilo me interessou realmente. O que me interessou foi ler o final da história que eu havia iniciado uns quinze anos antes. Confesso que chorei de emoção. não devia em nada a minha imaginação. E tenho esse livro, guardado na minha prateleira, com muito amor e carinho. Mais que O amor nos tempos do cólera, mais que Cem anos de solidão, mais que Laranja Mecânica, mais que o manual do escoteiro mirim. Mais que qualquer livro. Pois reler aquele livro trouxe de volta a mim todas as emoções que eu senti ao ler pela primeira vez um livro que me tocou.

Leiam, leiam muito. Até bula de remédio. A professora estava certa.

Valeu dona Silvana, obrigado. :*

terça-feira, 9 de março de 2010

Rafael Schmitt e a arte de desmontar roupeiros.

Mãe! Preciso me mudar, arranja alguém pra fazer a mudança pra mim pois eu não tenho tempo?

Foi meu primeiro erro.

Ta certo que eu já deveria ter feito essa mudança a uns dois meses mas não esperava que tudo acontecesse assim tão de súbito...

Estava eu a telefonar para um desses homens que fazem frete (que infelizmente não pode fazer o serviço, mas tinha ótimas recomendações) quando a minha mãezinha me liga e diz que tinha um cara na minha casa avaliando o valor da mudança, uma cama depois este passou de cento e vinte a duzentos reais. O.o

Ok, fora isso contratamos um desmontador/montador de coisas para desmontara cama, o roupeiro, os armários... Enfim, tudo que deveria ser desmontado.

No final da sexta eu descobri que havia contratado não o desmontador mas sim o homem invisível pois nada dele aparecer. Ok, fui dormir com o pensamento de que no outro dia eu mesmo desmontaria tudo pois afinal não deveria ser uma coisa tão difícil assim né?

Bem... Difícil não é... Pra quem tem coordenação motora. Minha viagem através da senda da desmontagem iniciou-se pela cama que eu descobri ser toda ela pesada. Toda! Pude confirmar isso porque o meu pé me disse após o lastro da cama cair em cima dele... Bem... Cama desmontada fui pro roupeiro.

Ah! O roupeiro... É bem simples afinal pois o meu é do tipo encaixe e monte, sabem? A maior dificuldade foi tirar as portas por causa da gravidade, inimiga natural de desmontadores unitários e de parafusos de portas de roupeiro.

Bem. Lá pelas oito, conforme o combinado chegaram os encarregados da mudança. Aí eu descobri que eu tinha contratado os Três Patetas...

Sabem aqueles desenhos da Disney com o Pateta, o Pato Donald e o Mickey carregando a mudança? Sim, aqueles em que eles acabam destruindo praticamente todos os móveis masno fim a mudança sai? Pois é! Não acontece só em desenho!!!

Enfim... O pessoal chegou e foi carregando as coisas para o caminhão e eu segui desmontando o roupeiro. Primeiro barulho estranho e o meu sentido de Three Stooges acendeu... Era meu balde, que agora é uma peça de arte moderna com fissuras. Depois de desmontar tudo que precisava ser desmontado eu comecei a ajudar a carregar e fui vendo no caminho algumas peças da minha cama (um “suportes” pra parafuso, nada sério) pelo chão. Ok, juntei e pus nos bolsos. Depois eu vi um pedaço do detalhe que enfeita as portas do meu roupeiro. Ok, juntei e segui em frente. Depois um pedaço do forro do roupeiro, ok juntei e segui em frente. Depois mais nada, subimos no caminhão e tudo tranquilo, chega de coisas quebradas. Ledo engano...

Nova casa! Um apartamento de um dormitório apenas duas quadras acima do meu antigo JK mas com box para carro e um chuveiro humanamente viável. Eeeeee! Tragam as coisas pessoal,eu ajudo a carregar as mais leves e vocês as mais pesadas ok? Perfeito. Carregaram tudo. Até mesmo as duas partes da máquina de lavar. Err... Duas partes? Mas era uma peça única, não?

Moe: -Dá nada não sinhô! Isso aqui é facinho de resolver, basta por uma colinha. Deixa que eu vou lá e busco...

Eu: -Não ò.ó

-Pode deixar assim, tá ótimo já, valeu, pode ir, toma aqui os duzentos pilas que você pediram e qualquer coisa eu resolvo. Valeu...


ò.ó <---- Só pra constar essa é a minha cara de bravo...


Sabem o que eu fiz? Montei o aparelhamento de televisão com Net, montei meu computador com internet e arrastei a bagunça pros cantos para poder colocar meu sofá e deitar nele. Bem 10, café, Cartoons e meu msn servem de calmante. Mais barato que comprimidos.

No outro dia tudo resolvido: colei fita adesiva na maquina de lavar para ela funcionar (ela ta dando um sacolejos mas acho que pode ser de felicidade pela nova casa), arrumei cola para madeira e isso vai resolver o problema do detalhe da roupeiro, minha gata se acostumou com a nova casa e já está comendo (o que é bom pra ela pois eu não ia contratar um psicologo felino). tudo tranquilo, depois eu me preocupo em montar as coisas, meu colchão não se importa em ficar no chão (também não cogitei psicologo colchãozistico) nem eu.
Tudo tranquilo. Tudo tranquilo. Dormir, acordar segunda. Tomar banho, assoviar, passar roupa... ??????????????
NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ELES DESTRUIRAM MEU FERRO DE PASSAR ROUPA!!!
Ok, na próxima mudança eu levo tudo de carrinho de mão, cobertor e boa vontade. Gasto calorias e garanto a qualidade da mudança.
PS: Minha gata foi pra outra casa dentro de uma sacola de estopa, entendo perfeitamente a expressão gato ensacado agora...

terça-feira, 2 de março de 2010

Mundo bizarro.

Eu ia postar sobre outra coisa mas me obriguei a mudar o tema depois do que vi hoje...

Tipo... Dia normal sabe? Acordei antes do relógio, levantei antes do relógio (o que não é normal), me espreguicei antes de acordar e desejei que o meu dia fosse maravilhoso hoje (mó clima brilha, brilha estrelinha ^^). Bem, O Segredo e outras psicocoisasfraternais a parte, meu dia acabou sendo bom sim. Mais pela minha percepção do que pelos acontecimentos.
Cheguei cedinho no trampo (coisa rara) e fiquei trabalhando até umas onze sem problema nenhum. Liga aqui, manda email ali... uma barbadinha. Lá pelas onze e meia meus colegas saem e vão almoçar e eu acabo ficando no trabalho de papo com a moça da recepção. Falando sobre a vida, como se olha as coisas pelo ângulo do copo meio cheio ou meio vazio, filosofia de boteco sabe...
Bem. Depois do retorno dos meus colegas eu saio e almoço, numa tranquilidade Zen budista. O restaurante tava vazio (estranho mas só pra quem frequenta). Ta, beleza. Um dia normal...
Sim. Concordo. De volta ao trabalho eu sento numa das confortáveis poltronas do hall da loja e fico olhando o movimento da Carlos Gomes: crianças passando vindas de alguma escola, gente saindo e entrando no restaurante chique do outro lado da rua, motoqueiros ziguezagueando pela avenida, tiozinho fazendo cooper no meio do transito, cara pelado socando uma na frente da casa do outro lado da rua, gente pass...???
?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
Quê!?
CARA PELADO DO OUTRO LADO DA RUA MANDANDO VER NO ONANISMO?????
não!? Só um pouquinho???? Renata vem cá e me diz se eu to doido ou tem mesmo um cara do outro lado da Carlos Gomes, peladão, tocando uma na maior tranquilidade?
Err... Resposta da minha colega Renata...

Tem.

Tipo...

>_>

A cena durou alguns instantes bizarros, cerca de cinco minutos. Tinha mesmo uma pinta do outro lado da rua entre as folhagens de uma casa - habitada - mandando ver no cinco contra um.
Depois de se resolver na sua questão o cara simplesmente pos a roupa e pegou um capacete e subiu numa moto que estava em frente a garagem da casa e foi-se embora.
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Bom... A essa hora a minha loja ja tava fazendo platéia e todo mundo tava opinando sobre o que diabos o cabeça tinha ido fazer ali. Depois de pensar eu e a Renata resolvemos ir até a casa pra ver se não havia lá alguma vítima de violência ou algo assim. Pois bem... Não havia. Atrás daquele mato todo tinha apenas uma porta lateral que deve ter sido por onde o cara saiu.
Voltando meu chefe ja tava por lá e só fez piada, é claro he he.
Enfim, o caso é que eu realmente fiquei a pensar sobre algumas coisas:

1) O cara pode ter ido lá fazer alguma entrega e mandou ver em algum habitante da casa, idoso(a), jovem, canino, arvoresco (minha tese mais forte por muitos minutos).
2) Ele ama aquela casa e resolveu mostrar isso a ela.
3) Existe agora telefoda express. Voce liga, ele vem de moto. Se demorar mais de vinte minutos a trepada sai de graça! (minha tese atual)
4) E finalmente a minha frase de ouro que não foi criada por mim mas eu adoro replica-la: O mundo real é definitivamente mais interessante do que qualquer fantasia. Basta olhar os detalhes.

Bom... Bizarrice a parte meu dia foi bom, mas não acabou ainda. Sigo na chance de eu ver alguma coisa diferente, mas duvido que ganhe do acontecimento do meu horário de almoço.

5) Preciso levar minha câmera comigo sempre... Sempre!

Definitivamente o mundo real é lindo, cheio de coisinhas prontas a serem observadas. Recomendo desligar o a TV e olhar pela janela, no BBB tudo é falso, aqui tudo é mais divertido ^^.